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Simpar (SIMH3) reverte prejuízo e reporta lucro líquido ajustado de R$ 52 mi no 2T26
Resumo:O trimestre marca os 70 anos de fundação do grupo, que também reportou o menor nível de alavancagem financeira desde seu IPO em 2010
O Grupo Simpar (SIMH3), holding que reúne JSL (JSLG3), Movida (MOVI3), Vamos (VAMO3), Automob (AMOB3), CS Infra, CS Brasil e BBC Digital, divulgou nesta quarta-feira (12) os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26), com o lucro líquido ajustado das operações continuadas em R$ 52 milhões, ante um prejuízo ajustado de R$ 42 milhões no 2T25.
O trimestre marca os 70 anos de fundação do grupo, que também reportou o menor nível de alavancagem financeira desde seu IPO em 2010.
Banco do Brasil (BBAS3) tem lucro líquido de R$ 3,9 bi no 2T, alta anual de 3,3%
Na comparação trimestral, o lucro avançou 13,9%
“O que me deixa feliz é estarmos entregando o que já vínhamos falando. Já falávamos sobre a monetização de ativos”, diz Denys Ferrez, CFO da Simpar, em entrevista ao InfoMoney.
Destaques financeiros
A receita bruta consolidada somou R$ 12,4 bilhões, alta de 10% frente ao 2T25. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA, na sigla em inglês) Ajustado cresceu 16%, para R$ 3,4 bilhões, com margem de 30,1% sobre a receita líquida de serviços. Já a receita de serviços — métrica prioritária para o grupo — avançou 14% na comparação anual, para R$ 9,5 bilhões.
Na visão contábil (sem ajustes), o lucro líquido dos controladores ainda ficou negativo em R$ 189,5 milhões, revertendo perda maior que a do 1T26. Descontando o efeito de marcação a mercado de derivativos ligados à operação de aumento de capital — sem impacto caixa —, o lucro líquido consolidado das operações continuadas somou R$ 26,5 milhões no trimestre.
O ROIC (retorno sobre capital investido) produtivo, excluindo o BBC, atingiu 14,0% nos últimos 12 meses, 1,9 ponto percentual acima do custo de capital de terceiros.
Menor alavancagem desde o IPO
A relação Dívida Líquida/EBITDA caiu para 2,8x, ante 3,6x no 2T25 — o menor patamar desde a abertura de capital da companhia em 2010. A redução reflete a combinação de melhoria operacional, maior eficiência no uso dos ativos e um incremento de R$ 6,9 bilhões na estrutura de capital do grupo nos últimos 12 meses, somando monetizações de ativos e aportes de capital.
Ainda assim, o CFO aponta para a dinâmica da dívida líquida do grupo, que é composta na somatória do grupo econômico. Em sua visão, a governança de cada uma das companhias permite que a gestão de dívida líquida seja realizada de forma individual e, portanto, a somatória na divulgação refletiria mais risco que um suporte adicional, como a holding deveria ser vista.
“Deveria ser um colchão adicional e não um risco que você soma tudo”, diz.
Na holding, a dívida líquida recuou 53% na comparação anual, para R$ 1,4 bilhão, com caixa de R$ 4,6 bilhões suficiente para cobrir vencimentos até meados de 2031.
“Estamos no rumo certo, estamos cumprindo aquilo que dissemos às várias partes que se relacionam conosco. Em um ambiente onde muita gente está tendo susto de tudo quanto é natureza. Então, a gente se propôs também do lado dessa parte do endividamento a fazer uma recompra da dívida bruta”, afirma.
O calendário de recompra foi impactado por operações da companhia e também por divulgações de balanços, que impedem transações da natureza. Ainda assim, a recompra já abarcou 35% do R$ 1 bilhão de dívida bruta da Simpar pela própria companhia.
Movimentos estratégicos do trimestre
Entre os principais eventos do período, a SIMPAR destacou aumentos de capital privado em SIMPAR, Movida e Vamos, totalizando R$ 3,0 bilhões, concluídos em maio, com ancoragem da JSP Holding e do BNDESPar — que também exerceu opção de compra de 5% de participação na JSL.
“Quando eu olho os ativos e os resultados que a gente está entregando, é só ter calma e serenidade para esperar um cenário mais tranquilo para os ativos refletirem isso. Acredito sempre no Brasil, que o país fará o dever de casa mais cedo ou mais tarde, não estou falando especificamente do lado fiscal, mas se a taxa de juros se mantiver, para mim já é bom demais”, afirma, citando a operação com o BNDESPar.
Além disso, o CFO comentou a venda da CS Porto Aratu, anunciada em julho, por um Enterprise Value de R$ 1,8 bilhão, com MOIC (múltiplo sobre capital investido) de 5,8x em 3,6 anos de investimento. A operação ainda não compôs o balanço do trimestre, como observado pelo executivo.
Ferrez também citou novas captações de R$ 2,7 bilhões no trimestre, a custo médio de CDI + 2,5% e prazo médio de 6,3 anos; mais R$ 2,0 bilhões captados em julho e agosto a condições ainda mais favoráveis (CDI + 1,7%).
Desempenho por empresa
JSL: receita bruta de serviços de R$ 2,9 bilhões (+6,3% a/a); fluxo de caixa operacional após crescimento de R$ 164 milhões no trimestre e R$ 861 milhões nos últimos 12 meses. A alavancagem caiu para 2,7x. O CFO citou o maior churn de contratos, de forma eletiva, como algo necessário quando há perda de equilíbrio entre as partes. Ainda assim, o volume já conquistado se apresenta como equivalente.
Movida: EBITDA recorde de R$ 1,7 bilhão (+22,3% a/a) e lucro líquido de R$ 135,6 milhões, alta de 100,7% e acima do guidance. A companhia projeta lucro líquido entre R$ 130 milhões e R$ 140 milhões para o 3T26.
“A Movida se propôs realmente a perseguir dentro do máximo possível essa experiência, essa satisfação do cliente, acho que isso tem dado resultado, É um caso que dentro do grupo que fez esse ajuste até mais rápido em relação ao macro”, afirma.
Vamos: lucro líquido de R$ 101,0 milhões (+21,8% a/a), com taxa de ocupação da frota em 89% e redução de 48,2% nas retomadas de ativos. A empresa reiterou o guidance de EBITDA entre R$ 3,75 bilhões e R$ 4,0 bilhões para 2026. O executivo destacou a entrada do novo CEO da companhia, Christian Hahn, e a inflexão observada companhia desde o ano passado.
“Cristian é uma pessoa que tem cerca de 10 anos no grupo e é focado em fazer, em agilizar essa execução. Então, não estamos querendo mudar o que está, não. É só queremos, realmente, botar mais energia para executar pontos mais relevantes do nosso planejamento”, afirma.
Automob: vendas de veículos leves novos cresceram 14,3% a/a; em Caminhões e Ônibus, alta de 17,6% em mercado que recuou 2,7%. O capex caiu 77% na comparação anual. O executivo afirmou que a companhia de concessionárias ainda está em fase de “curva de aprendizagem”, mas que há expectativas de alcance de metas a partir do ano que vem.
CS Infra: receita líquida de serviços saltou 222,6% a/a, para R$ 86,7 milhões, com EBITDA de R$ 47,8 milhões (+528,9%), impulsionada pela maturação de concessões rodoviárias.
BBC Digital: carteira de crédito cresceu 28% a/a, para R$ 2,7 bilhões, com inadimplência 1,0 p.p. abaixo da média de mercado..
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